Após veto do TSE, candidato exibe ‘vida normal’ no Twitter

GILBERTO AMENDOLA

 

Twitter - Política - Gabriel Rossi

Embora estejam proibidos de pedir votos ou se autopromoverem antes do início da campanha por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, os pré-candidatos à Prefeitura estão tentando levar “vida normal” no Twitter. Dos sete nomes que já apareceram em pesquisas, só Fernando Haddad não tem microblog particular. Com ajuda de especialistas (e, em algum casos, dos próprios candidatos), o JT analisou o comportamento de José Serra (PSDB), Soninha Francine (PPS), Celso Russomanno (PRB), Gabriel Chalita (PMDB), Netinho de Paula (PCdoB), Paulinho da Força (PDT) e até do perfil atribuído a Haddad.

“O ideal era que esses políticos construíssem (aos poucos) diálogo com eleitores no Twitter. Mas a maioria corre atrás disso em cima da hora. Eles ainda não se sentem à vontade nas redes sociais”, diz Felipe Bogea, administrador do 55 Social, agência especializada em marketing via Twitter, Facebook e redes sociais em geral. “Falta humanidade e autenticidade no Twitter dos políticos. Em muitos casos, são assessores que escrevem”, conta o estrategista em marketing digital Gabriel Rossi.

Com @joseserra_, descobrimos que o tucano é notívago, palmeirense, gosta de cinema argentino e que sabe a Poesia Matemática, de Millôr Fernandes, de cor. Mas, ultimamente, o pré-candidato tem se limitado a postar seus artigos de jornal e discutir macroeconomia. Na última quinta-feira, exaltou suas realizações na Prefeitura e no governo do Estado – o que pode virar munição para questionamento de rivais na Justiça Eleitoral. “Serra tem altos e baixos no Twitter. O melhor é quando ele expõe esse lado mais humano, quando fala de futebol, por exemplo”, diz Fabio Lepique, tesoureiro do diretório municipal do PSDB.

Pessoal e impessoal

Bogea e Rossi consideram @SoninhaFrancine uma das pré-candidatas mais à vontade no Twitter. Soninha posta vídeos (músicas), escreve coisas como “lembrei que em casa tem pizza de ontem” e se expõe em discussões com eleitores de outros candidatos. Ela já usou o microblog para alfinetar rivais também. “Acho que falta espontaneidade e interatividade verdadeira entre políticos na vida”, diz a pré-candidata.

@celsorussomanno também é destacado por Bogea. “Ele mantém diálogo bastante pessoal com seus seguidores”. De fato, o Twitter de Russomanno segue a linha “defesa do consumidor” adotada pelo jornalista. “Uso para tentar solucionar casos que chegam ao meu instituto (de defesa do consumidor).” Já @netinhoDpaula tenta reproduzir na rede um pouco da linguagem de seus programas de TV e faz referências à periferia.

O @gabriel_chalita é um que fala pouco de política. Na maioria das vezes, agradece elogios de seus seguidores, escreve frases que flertam com a autoajuda e dá uma série de dicas culturais. Por outro lado, @dep_paulinho só usa o Twitter para divulgar seu trabalho no Congresso e na Força Sindical. Conta que o perfil pode ser atualizado por assessores.

É de se estranhar que o PT, partido com base participativa nas redes sociais, ainda não tenha feito conta de Twitter para Fernando Haddad. Na verdade, o @Haddad_Fernando não é atualizado pelo candidato, mas, vez ou outra (com bastante irregularidade) traz agenda do pré-candidato. Os vereadores Chico Macena e José Américo, que cuidam da comunicação de Haddad, não quiseram falar sobre o assunto. “Se trabalhasse para a campanha do Haddad, diria para ele entrar no Twitter. Lá, você tem contato com formadores de opinião e muitas pautas (assuntos que podem virar reportagens)”, declara Rossi.

Fonte: Jornal da Tarde – 15/04/2012

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