#Ficaadica: redes sociais viram alto-falante de polêmicas em Londres

Por Cintia Barlem
Rio de Janeiro

Olimpíadas registram expulsões por postagens inadequadas de atletas na internet. Casos levantam discussão sobre o modo de uso das ferramentas

Olimpíadas sociais. Assim foram classificados os Jogos de Londres, e os dados realmente comprovam o “apelido”. No geral, somente em número de tweets diários houve um aumento de 1,1 milhão em 2008 – ano da disputa em Pequim – para 140 milhões em 2012, segundo dados da consultoria Nielsen. O crescimento significativo trouxe a interação quase permanente junto a um cenário de desafios para os atletas. Como se comportar perante os olhos do mundo? Qual o limite de uso durante a competição? Alguns deles foram além dos 140 caracteres e enfrentaram problemas fora dos palcos esportivos.

Antes mesmo de os Jogos começarem, a atleta do salto triplo Voula Papachristou foi excluída pelo Comitê grego por comentários inadequados a respeito de africanos que residem no seu país. O zagueiro Michel Morganella, da seleção da Suíça, acabou expulso da competição por uma frase sobre os sul-coreanos, que derrotaram sua equipe na estreia da disputa no futebol. O defensor usou a pesada expressão “mentalmente retardados”.

Após repercussão, Voula Papachristou se desculpou (Foto: Reprodução/Twitter)

Entre os atletas brasileiros, a polêmica também se fez presente. Após perder uma luta por usar um golpe proibido, Rafaela Silva recebeu críticas de internautas e acabou revidando. O assunto acabou tendo prosseguimento com a reação da atleta.

Já Thiago Tavares, lutador catarinense do UFC, postou um comentário irônico pouco depois de Thiago Camilo terminar em quinto lugar no judô. As palavras do atleta provocaram discussão nas redes sociais e em veículos de comunicação. Ao se pronunciar sobre o ocorrido, Tavares disse que não conseguiu passar a mensagem que queria.

Ex-campeão mundial e representante brasileiro nas Olimpíadas de Pequim, João Derly diz que é sempre preciso evitar polêmicas. E explica o porquê.

- É ruim ouvir as críticas, mas é preciso saber usar bem a ferramenta (rede social). Tentar não criar polêmica e não entrar em discussão. Quando sou atacado eu não respondo. O atleta é uma referência para as pessoas – diz Derly.

Logo depois da conquista do bronze na última quinta-feira no judô, Mayra Aguiar revelou que, motivada pelo incidente com Rafaela, se afastou das redes sociais antes das lutas decisivas para evitar qualquer tipo de distração ou aborrecimento. O presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres (Locog), Sebastian Coe, já havia alertado: “Fique longe do Twitter se quiser ouro”. Mas será que os meios sociais são os vilões da história?

- A declaração no Twitter é a ponta do iceberg. Ele só verbalizou a falta de educação em alguns casos. A tecnologia não é a culpada – diz Gabriel Rossi, estrategista de marketing digital.

Rossi dá duas dicas aos atletas que pensam em seguir postando durante os Jogos de Londres – sugestões que, na verdade, valem também para o dia a dia de qualquer um.
- Não escreva se você estiver nervoso, e lembre-se: tudo fica na internet para sempre. Qualquer ação mais polêmica acabará fazendo parte da sua reputação.

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) informou que nenhuma orientação foi dada especificamente aos atletas brasileiros sobre o melhor uso das redes sociais. Segundo a assessoria de imprensa da entidade, foram seguidas apenas as diretrizes estabelecidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) com proibição da promoção de qualquer marca produto ou serviço durante a competição. Houve também a recomendação para o cuidado nas postagens de imagens por questões de copyright e direitos de transmissão. Apesar da “liberdade de expressão”, uma palavra foi enfatizada pelo COI: moderação. Alguns atletas acabaram a esquecendo no armário de casa.

Fonte: GloboEsporte.com – 03/08/2012

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