Gabriel Rossi colaborou mais uma vez com o Jornal da Tarde, publicação do grupo Estado. No dia 21 de novembro de 2011 (segunda-feira), o peródico publicou na página 2A, editoria Opinião, artigo em que o estrategista de marketing faz uma análise do marketing político digital no Brasil e aponta perspectivas para as eleições 2012. Confira abaixo o texto na íntegra:
Eleições na era digital
A poucos meses das eleições que irão eleger vereadores e prefeitos em todo o Brasil, já está clara a movimentação de potenciais candidatos. E não tem mais jeito: qualquer candidato que queira um bom resultado nas urnas terá de utilizar fortemente a internet. Tal situação proporciona a oportunidade de analisar pontos com relação à utilização da web e à estratégia adotada para as eleições de 2012.
Atingir na web os resultados que o hoje presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alcançou em 2008 foi e ainda é o grande objetivo de qualquer candidato brasileiro. Mas apesar da força deste case político, é preciso desmitificá-lo. Muito mais que copiar Obama, é preciso uma visão de conjuntura e um entendimento do eleitor que vão além de modelos prontos. É necessário avançar.
Qual o principal motivo do sucesso da campanha Obama na internet? Simples: desejo de mudança. A palavra “change” foi adotada pelo então candidato Obama, já que os Estados Unidos estavam em crise econômica, com desemprego crescente.
A situação no Brasil nas últimas eleições, especialmente em 2010, era inversa. Vivíamos uma estabilidade econômica e uma Presidência com alto índice de aprovação. A conjuntura era de continuidade, não de mudança. Ainda há de se considerar fatores essenciais, como presença online dos cidadãos, nível de educação e inclusão digital, infraestrutura da banda larga, índices demográficos e a própria cultura democrática e processo eleitoral distintos.
Na internet, Brasil e Estados Unidos contrastam. O brasileiro é menos interessado em política e mais interessado em entretenimento. Nossa banda larga ainda se desenvolve. Isso tudo afeta o comportamento do eleitorado.
Os candidatos a prefeitos e vereadores dos 5.565 municípios brasileiros – incluindo São Paulo – devem utilizar a internet para fortalecer seu perfil e criar um diálogo confiável, com estrutura profissional, respeitando peculiaridades de suas regiões.
Há ainda outras diferenças importantes na base de eleições no Brasil e nos Estados Unidos. O voto aqui é obrigatório, enquanto que nos EUA é opcional. O Brasil tem renda média baixa, e não possui o mesmo número de adeptos à leitura e à discussão digitalizada como no país de Obama.
O candidato brasileiro de maneira nenhuma deve querer se posicionar como o Obama brasileiro da internet. Os arquétipos são diferentes, a abordagem ao eleitorado é outra, o estímulo do eleitor para acessar a internet é distinto. Uma campanha eleitoral brasileira vitoriosa na internet depende do profissionalismo de entender peculiaridades e traçar estratégias condizentes, porém, pelo fator web cada vez mais determinante e presente no cotidiano, é uma realidade cada vez mais próxima.
Fonte: Jornal da Tarde – 21/11/2011
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