Reforços em 12x sem juros

Reforços em 12x sem juros - Gabriel Rossi

Contratação de jogadores com a contribuição dos torcedores pode virar uma tendência

“O Palmeiras é dos palmeirenses. E os palmeirenses vão trazer Wesley para o Verdão. Por apenas 12 x 8,87.” Aos desavisados, a campanha que circula pela internet pode parecer fora da realidade. Em vez dos vários produtos corriqueiros, o anúncio traz a venda de um jogador de verdade e ainda de maneira parcelada. Tudo por uma pechincha. Estranho. Mas, na realidade, essa é uma nova estratégia de marketing criada há dois anos, chamada de My Own Player (MOP). Traduzindo do inglês, “meu próprio jogador”.

Pioneiro no país, o Palmeiras recorreu a essa tática devido à falta de verba para trazer o jogador do Werder Bremen. Abriu, com isso, um novo mercado para a contratação de atletas. Mas, de cara, também trouxe o lado negativo dessa plataforma. Até agora, a campanha está longe de ser considerada um sucesso. No dia do lançamento, por exemplo, o clube conseguiu arrecadar menos de 1% do valor exigido pelo clube alemão, que gira na casa dos R$ 21 milhões.

As doações seguiram a conta gotas. Frustraram até mesmo o técnico Luis Felipe Scolari, que fez um pedido público para a torcida continuar depositando sua confiança e seu dinheiro no jogador. Entre apelos e o desprezo de parte da torcida, o atleta treina normalmente no Palmeiras e aguarda o final feliz para a “vaquinha online”. Até o próximo domingo, quando a campanha termina, o desfecho será conhecido.

Ainda que a contratação não venha vingar, conhecedores deste campo virtual consideram o caso “Wesley no Verdão” como uma estratégia vitoriosa. “O torcedor de futebol está entre os públicos mais engajados e empenhados, o que pode garantir o sucesso do formato mesmo em relação a campanhas futuras. Há potencial para estabelecer uma tendência e cases de sucesso”, opina o especialista em marketing digital Gabriel Rossi.

O MOP chega ao país como mais uma ferramenta de democratização na relação entre clube e torcedor. Antes, a cobrança vinda das arquibancadas era a única maneira de influenciar no andamento do time coração. Agora o cenário começa a se modificar com participação direta nas contratações dos jogadores. “Em uma era em que o público tem cada vez mais voz e exige esta participação, trabalhar o envolvimento pode ser um bom trunfo. Mas é importante lembrar que este envolvimento maior também acarreta em aumento de cobrança tanto para a postura do clube quanto para a performance dos jogadores”, lembra Rossi.

Outros casos

Em 1997, a Federação Paulista de Futebol adquiriu o passe e, em seguida, fez um leilão do meia Marcelinho Carioca. Por telefone, o torcedor escolhia o clube que o atleta deveria jogar mediante o pagamento de uma cota. O atleta acabou voltando do Valência, da Espanha, para o Corinthians. Outra estratégia visando à democratização do futebol surgiu na Inglaterra. Chamada de MyFootballClub (Meu Clube de Futebol), a associação permite que os torcedores, a partir de um pagamento fixo, influencie na escalação e na transferência de jogadores. Em 2007, 20 mil membros dessa ferramenta compraram o Ebbsfleet, da 5ª Divisão Inglesa, por quase R$ 3 milhões.

Reforços em 12x sem juros - MOP - Gabriel Rossi

 

Fonte: Diário de Pernambuco – 20/03/2012

A matéria também foi reproduzida no veículo:

Super Esportes – 20/03/2012

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